A realidade da vida tem combinações inesperadas.

Tudo se mistura, sem organização aparente — pelo menos aos nossos olhos. Alguém está cheio de vida, enquanto outro vai perdendo sua autonomia. Uma conquista esperada chega no mesmo mês em que algo precioso se perde. Um dia traz uma alegria imensa e, no instante seguinte, uma notícia difícil muda tudo.

Edith Schaeffer colocou em palavras algo que tenho vivenciado neste último ano — ela organizou minha experiência ao lembrar que não recebemos caixas etiquetadas com “tempo para a doença”, “tempo para a alegria”, “tempo para o caos”. O tempo não é uma sequência de eventos separados, mas uma experiência contínua e subjetiva. Diferentes “tempos” coexistem e se entrelaçam, se sobrepondo e se recusando a seguir um roteiro conveniente.

Mas quem nunca tentou organizar os sentimentos, como se fosse possível sentir alegria sem vestígios de tristeza? Como se desse para viver a paz sem que a incerteza a toque? Como se houvesse um jeito de amar sem correr o risco da perda?

Queremos a beleza da vista sem o cansaço da subida, mas a vida não espera que tudo esteja no lugar para seguir em frente. Tudo acontece junto. É tipo sol com chuva e arco-íris, como diz Adélia Prado, a vida ruindo e sendo bonita.

O que fazer quando as coisas se misturam e não dá para pausar um sentimento até que o outro passe? Talvez o desafio não seja encontrar um jeito de separar tudo, mas aprender a sentir como vem e seguir, mesmo quando num primeiro momento parece bagunçado.

2 respostas

  1. Hoje entendo que cogitar escolher o que sentir e quando sentir é um desperdício de vida. São os desafios que te fazem se mover, olhar para os lados, continuar seguindo em frente – seja para sair da condição vigente ou para encontrar o que se quer lá na frente.

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    1. Concordo totalmente. É exaustivo, ineficiente e torna a vida cada vez menor e sem significado. Mas quando recontextualizamos sentimentos e pensamentos difíceis, eles deixam de ser um problema e se tornam companheiros da viagem.

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Sobre

Psicóloga, atuando com a Terapia de Aceitação e Compromisso em consultório particular. Passei os últimos dez anos estudando e trabalhando com pessoas, engajada em como ajudá-las em seu sofrimento humano e capacitá-las para uma vida baseada em valores.

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