A realidade da vida tem combinações inesperadas.
Tudo se mistura, sem organização aparente — pelo menos aos nossos olhos. Alguém está cheio de vida, enquanto outro vai perdendo sua autonomia. Uma conquista esperada chega no mesmo mês em que algo precioso se perde. Um dia traz uma alegria imensa e, no instante seguinte, uma notícia difícil muda tudo.
Edith Schaeffer colocou em palavras algo que tenho vivenciado neste último ano — ela organizou minha experiência ao lembrar que não recebemos caixas etiquetadas com “tempo para a doença”, “tempo para a alegria”, “tempo para o caos”. O tempo não é uma sequência de eventos separados, mas uma experiência contínua e subjetiva. Diferentes “tempos” coexistem e se entrelaçam, se sobrepondo e se recusando a seguir um roteiro conveniente.
Mas quem nunca tentou organizar os sentimentos, como se fosse possível sentir alegria sem vestígios de tristeza? Como se desse para viver a paz sem que a incerteza a toque? Como se houvesse um jeito de amar sem correr o risco da perda?
Queremos a beleza da vista sem o cansaço da subida, mas a vida não espera que tudo esteja no lugar para seguir em frente. Tudo acontece junto. É tipo sol com chuva e arco-íris, como diz Adélia Prado, a vida ruindo e sendo bonita.
O que fazer quando as coisas se misturam e não dá para pausar um sentimento até que o outro passe? Talvez o desafio não seja encontrar um jeito de separar tudo, mas aprender a sentir como vem e seguir, mesmo quando num primeiro momento parece bagunçado.





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