A gente se propõe a muita coisa, mas quase nunca hesita. Vai seguindo, como se fosse mais do mesmo. Mesmo quando já somos capazes de fazer diferente, repetimos padrões, compramos as antigas histórias e evitamos novos desconfortos.
Venho me perguntando se as minhas resoluções estão, de fato, conectadas aos meus valores ou se apenas repetem movimentos automatizados. Se o que venho escolhendo vem necessidade de manter tudo coerente com quem eu sempre fui, sabe como é? Aquilo que a gente aprende a sustentar, que já fez sentido e que continua organizando as nossas escolhas, mesmo quando o contexto já mudou.
É que sempre voltamos para o que conhecemos. O familiar organiza, dá sensação de controle, oferece uma coerência imediata. Não exige aprendizado, nem exposição.
Seguir por caminhos já conhecidos parece mais seguro do que sustentar o desconforto de algo novo, ainda que esse novo já esteja, de algum modo, ao alcance.
E assim, sem perceber, vamos chamando de limite aquilo que um dia foi só proteção. Acho que limites são marcas de um tempo, são respostas possíveis e formas de cuidado. Alguns foram construídos quando tínhamos menos recursos, menos escolhas, menos apoio. Foi o que deu pra ser e fazer, foi o que funcionou e organizou a vida. Mas, com o tempo, o que era adaptação pode ir se passando facilmente por identidade. Vai se tornando definitivo.
Antes de tocar o barco, eu quero revisitar meus limites, escutá-los de novo. Não rompê-los à força. Só escutar. Colocar a atenção aqui, por um instante. Faça isso junto comigo: se pergunte de eles onde vieram, para que serviram e se ainda precisam ocupar o mesmo lugar na sua história.
Há tempo para tudo. Há momentos em que simplesmente não podemos. E há outros em que a questão deixa de ser limite e passa a ser escolha: o que fazemos com o que já sabemos sobre nós mesmos e a direção que, hoje, nos é valorosa seguir.
Tudo isso pra dizer: olhe! Talvez você possa tentar!
Não tem garantia, mas pode ter uma pequena abertura. Abertura é uma das minhas palavras para 2026.
Que a gente revisite limites pra reconhecer com gratidão o que nos protegeu, sem confundir sobrevivência com destino. Pra aceitar que algumas regras já cumpriram sua função e que talvez o território tenha mudado, mesmo que a gente ainda caminhe com mapas antigos. Pra trocar certezas por curiosidade e por caminhos que se revelem passo a passo.




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