Como você tem navegado pelas águas da maternidade?

A maternidade é um mar que nos leva para lugares desconhecidos. Às vezes, sentimos saudade da margem que deixamos para trás, isso não é apenas normal, mas esperado. Se você está se sentindo assim, provavelmente é porque você gostava da mulher que estava se tornando e da vida que que estava vivendo.

Certamente você já ouviu falar sobre como a maternidade transforma a identidade da mulher — mas viver isso, na pele, é uma experiência muito mais profunda e intensa. É que essa transformação pode trazer à tona muitos sentimentos difíceis — e você não está sozinha aqui. Esse oceano pode ser assustador e misterioso, mas também é cheio de vida. Ele nos impulsiona para frente, em direção a novos horizontes.

Uma hora você vai ver, mas talvez agora você pode ter a sensação de que todas essas partes de si mesma estejam se recolhendo. É que elas estão cedendo espaço, energia e propósito para que algo novo possa emergir. Essa ausência de quem você sempre foi é uma entrega necessária para o início de uma nova história — não sem custo. É uma “matemática” diferente, onde perdemos aquilo que conhecíamos para, então, reencontrar sob outra forma.

O fato é que todos os seres humanos tem o anseio de organizar as próprias experiências de maneira coerente. Para nós, as coisas precisam fazer sentido. O “sem-sentido” é aversivo. É normal querermos que nossa história seja um quebra-cabeça perfeito, mas quando nossas experiências não se encaixam na nossa narrativa, podemos experimentar muito desconforto.

A vida, na verdade, é mais como um caleidoscópio, sempre em transformação e a maternidade reconfigura nossa identidade. Ela é bem assim, impermanente. Algumas coisas se vão mesmo. Outras, a gente não encontra da mesma forma, mas não é por isso que elas se perderam. Elas permanecem, mas transformadas. Abraçar essa mudança é como permitir que novas partes entrem na nossa história, incluindo novas maneiras de agir.

O tempo vai mostrar que você não precisa ser impecável — aliás, isso não é uma opção — mas vai te pedir coragem. E isso, por si só, já será o suficiente para florescer.

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Sobre

Psicóloga, atuando com a Terapia de Aceitação e Compromisso em consultório particular. Passei os últimos dez anos estudando e trabalhando com pessoas, engajada em como ajudá-las em seu sofrimento humano e capacitá-las para uma vida baseada em valores.

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